As leituras secretas dos grandes escritores brasileiros

Jonathan Lamim

Jonathan Lamim

Professor, Escritor e Programador

25 de Janeiro de 2025 4 Min de Leitura

Você já parou para pensar que seus autores favoritos também tiveram suas próprias inspirações? Assim como nós, eles também se apaixonaram por livros, criaram ídolos literários e buscaram referências em outras obras antes de escreverem as histórias que hoje admiramos.

A literatura tem esse poder fascinante: atravessa tempo, distância e barreiras sociais. Ler é uma forma de dialogar com pessoas que viveram em outras épocas e que moldaram o pensamento de gerações inteiras.

E para quem é apaixonado por literatura brasileira, há uma curiosidade irresistível: afinal, o que liam nossos grandes escritores? Que autores formaram o imaginário de nomes como Jorge Amado, Hilda Hilst, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz?

Reuni algumas dessas inspirações com base em entrevistas, artigos (científicos e de blogs especializados) e registros históricos. Prepare-se para conhecer as influências literárias que ajudaram a construir os maiores clássicos da nossa literatura.

Mário de Andrade: O modernista universal

O líder do modernismo brasileiro era um leitor voraz e plural. Entre seus livros favoritos estavam:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke
  • A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Outros autores que deixaram marcas em sua obra incluem Goethe, Homero, Camões, Tolstói, Baudelaire e Graça Aranha.

Nelson Rodrigues: Dramaturgia com peso clássico

O mestre da tragédia carioca gostava de ler obras densas e universais, como:

  • Dom Casmurro, de Machado de Assis
  • Macbeth, de William Shakespeare
  • Crime e Castigo, de Dostoiévski

Além destes, Nelson lia com frequência a Bíblia, Sófocles, Kafka, Eurípedes, Eça de Queiroz e Proust.

Hilda Hilst: Existencialismo e experimentalismo

A escritora que transitava entre o erótico e o filosófico se alimentava de leituras intensas:

  • O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir
  • O Ser e o Nada, de Jean-Paul Sartre
  • Ulisses, de James Joyce

Ela também admirava Clarice Lispector, Pessoa, Dostoiévski, Rilke e Nietzsche.

Ariano Suassuna: O sertão dialogando com a Europa

O criador do Auto da Compadecida equilibrava influências locais e universais:

  • Os Sertões, de Euclides da Cunha
  • Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski
  • Dom Quixote, de Cervantes

Suassuna ainda lia Bíblia, Santo Agostinho, Gil Vicente, Camões, Thomas Mann, Graciliano Ramos e João Cabral.

Jorge Amado: O coração latino-americano

O autor de Capitães da Areia era fã da força narrativa de:

  • O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo
  • Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
  • Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Suas leituras também incluíam Machado de Assis, Neruda, Balzac, Tolstói, Twain e Victor Hugo.

Lygia Fagundes Telles: A alma feminina da literatura

Lygia era profundamente influenciada por:

  • Dom Casmurro, de Machado de Assis
  • Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
  • A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector

Ela também lia Virginia Woolf, Kafka, Flaubert, Simone de Beauvoir e Graciliano Ramos.

Érico Veríssimo: O cronista das transformações

Entre seus livros preferidos estavam:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski
  • O Som e a Fúria, de William Faulkner

Outros autores de sua prateleira: Woolf, Proust, Hemingway, Mann, Zweig e Borges.

Rachel de Queiroz: A voz feminina do sertão

Rachel lia de tudo um pouco, sempre com olhar crítico:

  • Iracema, de José de Alencar
  • Anna Kariênina, de Tolstói
  • Luz em Agosto, de Faulkner

Ela também admirava Machado de Assis, Tchekhov, Dostoiévski, Eça, Graciliano e Drummond.

Graciliano Ramos: O realista implacável

Graciliano buscava referências na análise social e no estilo direto:

  • Os Sertões, de Euclides da Cunha
  • Madame Bovary, de Flaubert
  • Guerra e Paz, de Tolstói

Também era fã de Balzac, Dostoiévski, Eça, Anatole France e Camões.

A leitura que atravessa gerações

A maior lição que podemos tirar das leituras desses grandes nomes é simples: a literatura é um convite ao diálogo. Ler é conectar-se com ideias, culturas e emoções que atravessam o tempo.

Quem sabe, ao descobrir os livros que formaram nossos escritores favoritos, você também não descobre um novo autor para chamar de seu?

Jonathan Lamim

Jonathan Lamim

Licenciado/graduado em Letras e Marketing. Pós-graduado em Literatura Brasileira e Contemporânea, Robótica Educacional e Ciência de Dados & Inteligência Artificial. Pós-graduando em Gestão da EPT e Direito Educacional. Autor de 5 livros publicados pela editora Casa do Código.

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