Singularidade na escrita

Jonathan Lamim

Jonathan Lamim

Professor, Escritor e Programador

05 de Janeiro de 2025 2 Min de Leitura

Você já parou para pensar no que torna a escrita de um autor verdadeiramente memorável? O que faz com que, entre milhares de textos, alguns se destaquem e permaneçam na mente (e no coração) dos leitores?

A resposta pode estar em uma palavra: singularidade.

José Saramago, um dos maiores escritores do século XX, destacou a importância de ser “diferente” em vez de apenas “melhor”. Em Cadernos de Lanzarote, ele compartilha uma conversa com uma leitora que lhe disse:

“Quando li Levantado do Chão, disse comigo: este escritor é diferente dos outros.”

Saramago ficou profundamente grato por essa observação. Ele não queria ser apenas mais um na multidão; queria ser único. E é essa singularidade que faz com que um escritor seja lembrado.

A importância da singularidade

Muitos novos escritores, na busca por reconhecimento, acabam produzindo textos em série, como se fossem parte de uma linha de produção. O resultado? Textos que, embora bem escritos, carecem daquilo que os torna verdadeiramente especiais e singulares: o estilo.

Um profissional da escrita sem um estilo próprio bem definido dificilmente alcançará a singularidade que o torna reconhecido não apenas pelo que diz, mas pela forma como diz. Como bem colocou Francisco Castro:

“Para que você se encontre como escritor/escritora, é importante que, ao escrever, se esforce muito para tornar audível um tom singular somente seu.”

Como desenvolver seu estilo

A construção do estilo começa quando espelhamos nossas referências e buscamos compreender o que torna único o estilo deles. Eu, por exemplo, tenho como referências:

  • Stephen King: atmosferas intensas e personagens humanos profundos.
  • Ernest Hemingway: concisão e minimalismo.
  • Agatha Christie: enigmas e reviravoltas narrativas.
  • Dostoievsky: exploração profunda da psicologia humana e dos dilemas morais.
  • Tolstói: realismo detalhado e abrangente visão social.
  • Lucão: musicalidade nas palavras.
  • Ana Holanda: escrita afetuosa.

Exercício sugerido

Tente reescrever um parágrafo de um autor que você admira, mas com suas próprias palavras e perspectiva. Observe como sua voz única começa a se apresentar.

Singularidade não é originalidade

Ser singular não significa falar de algo que ninguém mais está falando. Significa falar de uma forma que destaque você dos outros, mesmo que esteja falando a mesma coisa.

Pratique e descubra seu tom

A singularidade na escrita não é um dom, mas uma conquista. Comece hoje a explorar suas referências, experimente diferentes estilos e, acima de tudo, escreva com autenticidade. Seu estilo único está à sua espera.

E você, qual autor ou autora mais influencia sua escrita?

Jonathan Lamim

Jonathan Lamim

Licenciado/graduado em Letras e Marketing. Pós-graduado em Literatura Brasileira e Contemporânea, Robótica Educacional e Ciência de Dados & Inteligência Artificial. Pós-graduando em Gestão da EPT e Direito Educacional. Autor de 5 livros publicados pela editora Casa do Código.

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