As leituras secretas dos grandes escritores brasileiros
Você já parou para pensar que seus autores favoritos também tiveram suas próprias inspirações? Assim como nós, eles também se apaixonaram por livros, criaram ídolos literários e buscaram referências em outras obras antes de escreverem as histórias que hoje admiramos.
A literatura tem esse poder fascinante: atravessa tempo, distância e barreiras sociais. Ler é uma forma de dialogar com pessoas que viveram em outras épocas e que moldaram o pensamento de gerações inteiras.
E para quem é apaixonado por literatura brasileira, há uma curiosidade irresistível: afinal, o que liam nossos grandes escritores? Que autores formaram o imaginário de nomes como Jorge Amado, Hilda Hilst, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz?
Reuni algumas dessas inspirações com base em entrevistas, artigos (científicos e de blogs especializados) e registros históricos. Prepare-se para conhecer as influências literárias que ajudaram a construir os maiores clássicos da nossa literatura.
Mário de Andrade: O modernista universal
O líder do modernismo brasileiro era um leitor voraz e plural. Entre seus livros favoritos estavam:
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
- Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke
- A Divina Comédia, de Dante Alighieri
Outros autores que deixaram marcas em sua obra incluem Goethe, Homero, Camões, Tolstói, Baudelaire e Graça Aranha.
Nelson Rodrigues: Dramaturgia com peso clássico
O mestre da tragédia carioca gostava de ler obras densas e universais, como:
- Dom Casmurro, de Machado de Assis
- Macbeth, de William Shakespeare
- Crime e Castigo, de Dostoiévski
Além destes, Nelson lia com frequência a Bíblia, Sófocles, Kafka, Eurípedes, Eça de Queiroz e Proust.
Hilda Hilst: Existencialismo e experimentalismo
A escritora que transitava entre o erótico e o filosófico se alimentava de leituras intensas:
- O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir
- O Ser e o Nada, de Jean-Paul Sartre
- Ulisses, de James Joyce
Ela também admirava Clarice Lispector, Pessoa, Dostoiévski, Rilke e Nietzsche.
Ariano Suassuna: O sertão dialogando com a Europa
O criador do Auto da Compadecida equilibrava influências locais e universais:
- Os Sertões, de Euclides da Cunha
- Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski
- Dom Quixote, de Cervantes
Suassuna ainda lia Bíblia, Santo Agostinho, Gil Vicente, Camões, Thomas Mann, Graciliano Ramos e João Cabral.
Jorge Amado: O coração latino-americano
O autor de Capitães da Areia era fã da força narrativa de:
- O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo
- Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
- Vidas Secas, de Graciliano Ramos
Suas leituras também incluíam Machado de Assis, Neruda, Balzac, Tolstói, Twain e Victor Hugo.
Lygia Fagundes Telles: A alma feminina da literatura
Lygia era profundamente influenciada por:
- Dom Casmurro, de Machado de Assis
- Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
- A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector
Ela também lia Virginia Woolf, Kafka, Flaubert, Simone de Beauvoir e Graciliano Ramos.
Érico Veríssimo: O cronista das transformações
Entre seus livros preferidos estavam:
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
- Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski
- O Som e a Fúria, de William Faulkner
Outros autores de sua prateleira: Woolf, Proust, Hemingway, Mann, Zweig e Borges.
Rachel de Queiroz: A voz feminina do sertão
Rachel lia de tudo um pouco, sempre com olhar crítico:
- Iracema, de José de Alencar
- Anna Kariênina, de Tolstói
- Luz em Agosto, de Faulkner
Ela também admirava Machado de Assis, Tchekhov, Dostoiévski, Eça, Graciliano e Drummond.
Graciliano Ramos: O realista implacável
Graciliano buscava referências na análise social e no estilo direto:
- Os Sertões, de Euclides da Cunha
- Madame Bovary, de Flaubert
- Guerra e Paz, de Tolstói
Também era fã de Balzac, Dostoiévski, Eça, Anatole France e Camões.
A leitura que atravessa gerações
A maior lição que podemos tirar das leituras desses grandes nomes é simples: a literatura é um convite ao diálogo. Ler é conectar-se com ideias, culturas e emoções que atravessam o tempo.
Quem sabe, ao descobrir os livros que formaram nossos escritores favoritos, você também não descobre um novo autor para chamar de seu?
Jonathan Lamim